BREVE HISTÓRIA DOS PARQUES DE ENTRETERIMENTO
- Thais Riotto
- Jan 29, 2022
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Artigo: Thais Riotto

Elementos que integram um parque de entretenimento já eram encontrados em feiras periódicas promovidas pela Igreja Católica na Europa medieval, porém só seriam reconhecidas mais tarde como um evento de entretenimento quando acrescentassem atividades de divertimento e descontração. Alguns desses estilos de feiras foram adicionando em seus stands tradicionais de vendas, grandes variações de atrações tais como dançarinas, show de marionetes e cantores, assim transformaram-se num carnaval que teve como duração três semanas inteiras; uma das feiras é a de São Bartolomeu em Londres, Inglaterra.
Outro gênero de entretenimento na Europa no século XVII e XVIII era os “Pleasure Gardens”7; refúgios bucólicos em contraste com os acinzentados aglomerados urbanos característicos da Revolução Industrial. Seriam mais tarde vistos como os precursores dos atuais parques de entretenimento.
Há registro de 65 estabelecimentos desse tipo, os que mais se destacam são o Vauxhall Gardens (1661-1859) e o Ranelagh Gardens (1742-1803), ambos em Londres, além do Prater em Viena um dos únicos sobreviventes da atualidade. Com traços comuns apresentavam um belo projeto paisagístico, estruturas ousadas, iluminação abundante, concerto, apresentações teatrais, balonismo e show de fogos de artifício (SALOMÃO 2000, 35).
Apesar de toda essa influência europeia o berço da indústria de parques de entretenimento é os Estados Unidos, onde a primeira concepção de parque ocorreu através da literatura nomeada como World´s Columbian Exposition, uma exposição realizada em Chicago no ano de 1893 em homenagem aos 400 anos da descoberta da América.
Essa exposição tinha como cenário uma cidade utópica com as últimas atualizações desenvolvidas nas áreas de arquitetura e urbanismo em um contraste com o comércio e a educação. Essa exposição forneceu um aprendizado através dos materiais expostos. A esse evento foi acoplado um assustador engenho desenvolvido por George Ferris, conhecido como Roda-Gigante.
A Cidade Branca, como ficou conhecida estava, “construída” em meio a um terreno pantanoso da área que acabou revelando um modelo planejamento meticuloso e forneceu ainda um exemplo de aplicação de tecnologias com o objetivo de entretenimento, ou seja, o evento proporcionou a aproximação de feiras e atividades diversas (SALOMÃO 2000, 36).
Em 1895 Coney Island, uma pequena ilha próxima à Nova Iorque, tornou-se um centro de empreendimentos na área de lazer, atraindo investidores que visavam criar formas de divertimento e negócios. Na mesma época uma área fechada onde cobrava ingresso na entrada com o intuito de usufruir dos divertimentos, foi criada e intitulada como parque.
A magia evocada pela música alta, pela abundante e colorida iluminação e pelo surgimento de extravagantes estruturas atraíam milhares de frequentadores, a aristocracia se misturava aos milhares de imigrantes em busca de emoção e fuga da repressão moral das sociedades conservadoras.
Essa diversão impulsionou nesse mesmo período o estabelecimento do parque de entretenimento como uma instituição nos Estados Unidos, juntamente com as empresas responsáveis pelos bondes elétricos das grandes cidades que tinha como tentativa diluir o custo da tarifa fixa de energia elétrica cobrada pelas empresas de transporte urbano e visando com isso a construção de áreas de lazer próxima ao ponto final de suas linhas regulares (SALOMÃO 2000, 37).
A essas áreas mais tarde seriam acrescentadas restaurantes, passeios de barcos, salões de danças e doação de maquinários recém-desenvolvidos como o carrossel e a montanha-russa e ficaram conhecidos como Trolley Parks.
Nos anos após a primeira guerra mundial, essa indústria de entretenimento seria impulsionada pelo crescimento da população e pela redução das horas de trabalho nos Estados Unidos.
Em 1920, algo em torno de 2.000 parques estavam em operação espalhados no território americano alguns atraindo em domingo ou feriado, dias de maior movimento cerca de 50.000 pessoas (SALOMÃO 2000, 37).
Mudanças demográficas e socioeconômicas vieram alterar esse quadro na década de 20, um declínio gradual dessa atividade foi a quebra da Bolsa de Valores um período de grande depressão econômica, além disso, a popularização dos automóveis foi uma revolução inesperada. Os parques não possuíam estacionamento, isso afastou os motoristas que tinham medo de deixar seus carros nas ruas com medo de roubos e com isso encontraram nas viagens uma diversão, uma alternativa de lazer.
Nas décadas de 40 e 50 houve uma suburbanização que trouxe muitas populações pobres para o centro das cidades o que atraiu a violência afastando os frequentadores dos parques e os levando para o conforto e segurança de suas casas onde havia um novo “brinquedo”, a televisão.
Na década de 60 o problema se agravou, os parques tradicionais que, haviam sobrevivido às décadas anteriores de escassez de público, foram transformados em sedes de conflitos raciais envolvendo gangues de ruas, problemas de manutenção, instalações e atrações também foram responsáveis pelo declínio do investimento.
A transformação dessa situação já estava sendo plantada, o dia 17 de julho de 1955, e alteraria definitivamente o futuro dessa indústria. Walt Disney materializaria a abertura da Disneylândia em Anaheim, Califórnia.
Desacreditado pelos especialistas em parques da época, Walt Disney construiu seu sonho apoiando nas mesmas tendências que anos antes havia afligido o setor, os visitantes de classe média, que chegariam a seu parque com automóvel. (SALOMÃO 2000, 38).
E em 18 de julho de 1955, foi inaugurada a Disneylândia que era um projeto que contava com uma série de cenários, onde as pessoas circulavam em verdadeiros “teatros de imersão”. Sua atmosfera conduzia os visitantes a um outro tempo, lugar, universo e fantasia através de uma sequência lógica baseada em filmes ou desenhos animados criados pelo próprio Walt Disney. Todos esses cenários teriam como base a arquitetura, paisagismo, atrações, mercadorias, ou seja, souvenir com as imagens criadas por Walt Disney, alimentos e bebidas ‘tematizados” em seus detalhes. Nascia assim o conceito de “parque temático”8.
O tema do parque estaria ligado a seus desenhos, aos personagens criados por Walt Disney e sua equipe incluindo o Mickey Mouse e o Pato Donald.
Disney resgatava a herança deixada pela “Cidade Branca”, substituindo o decadente ambiente dos tradicionais parques por um celestial mundo de fantasias, imaculado, limpo e organizado. Pela primeira vez atribuía-se importância ao paisagismo e ambientação quanto às atrações do parque em si. (SALOMÃO 2000, 39).
Nos anos seguintes muitos tentaram copiar a forma de empreendimento de Disney, mas fracassaram; em 1960 em Nova Iorque houve mais uma tentativa, um parque pequeno foi construído na cidade, mas sem a magia e a estrutura de Disney o parque não conseguiu sobreviver e entrou em declínio financeiro e foi fechado em 1964.
Enquanto isso no Texas, no ano de 1961 um parque foi aberto no mesmo estilo de Disney, era conhecido como Six Flags Over Texas, que obteve sucesso na indústria de entretenimento. Suas atrações tinham como alicerce a aventura e as montanhas russas e prometiam fortes emoções. Seu tema baseava-se na história do Texas.
O empreendimento fez sucesso e se expandiu para outras regiões. Foi um grande impulso para a construção de outros parques nesse país, e popularizou também o sistema de “cadeias de parques”.
Enquanto isso o projeto de Walt Disney estava sendo implantado na cidade de Orlando, Estados Unidos, em uma área de cento e vinte milhões de metros quadrados. O primeiro parque a ser construído no local era uma cópia aperfeiçoada da Disneylândia, batizada como Magic Kingdon – Reino Mágico, inaugurado em 1971. Segundo Salomão (2000, 40) A construção do parque Magic Kingdon estava sendo erguida sobre túneis subterrâneos especialmente desenhados para reunir áreas operacionais e de manutenção. A Disney foi pioneira em emprego de fibras óticas e sistemas computadorizados de grande porte.
Após essa inauguração a Disney passa ser conhecida como Walt Disney Company e amplia “sua indústria” com outros parques em vários países do globo, dentre ele está a Euro Disney em Paris. Segundo Salomão (2000, 20) “atualmente o Complexo Disney conta com quatro grandes parques temáticos9, três parques aquáticos10 e resorts tematizados e multifacetados, com instalações hoteleiras e ofertas diversificadas de atividades e lazer”.
Outras empresas têm atuação de destaque no setor de indústria de entretenimento com foco em parques de diversão, segundo Salomão (2000) a Premier Parks é hoje a segunda maior cadeia de parques de diversão com relação a número de visitantes e a primeira em número de parques regionais que reúne sob sua marca.
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