COR COMO INSTRUMENTO DE REGISTRO NAS ARTES VISUAIS
- Thais Riotto
- Jan 29, 2022
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Artigo: Thais Riotto
(Video: Hieronymous Bosch - O Jardim das Delícias Terrenas - animação de Syd Garon)
Desenhar, pintar, colorir são formas de expressão e de comunicação do ser humano. Com o tempo o homem percebeu que podia extrair os pigmentos da natureza e utilizá-los em forma de tinta misturados com resina retirada das árvores, bem como com a clara e a gema de ovos e diferentes tipos de óleo, estes servem para conservação, transporte e fixação da cor.
O homem já pintou sobre pedra, peles de animais e madeira e desenvolveu suportes próprios para a pintura, preparou as paredes com massas especiais, ou seja, os afrescos; modelou cerâmica e fez azulejos decorados; fez mosaicos com vidros coloridos; telas com tecidos para pintar usando pincéis e continua utilizando a pintura em arquiteturas, objetos, acessórios com a mesma necessidade, a de se expressar (FISCHER 1996, 35).
O estudo da linguagem das cores é essencial para a compreensão da arte, sendo a cor o instrumento que recria os cenários e os personagens sobre as telas transformando-as em registros históricos, segundo Hallaweel (1994) durante toda a história, a arte e a cor se dividiram para retratar os mais diversos momentos da humanidade. O artista renascentista italiano Leonardo Da Vinci (1452-1519) dentre suas invenções e experiências avançadas para seu tempo, não pintava somente para retratar ou copiar a natureza, mas sim para estudá-la, desmistificando as cores e a luz perante a ciência.
Em suas experiências com luz e cor desenvolveu a técnica "sfumato" (em italiano, claro-escuro e esfumaçado), método de trabalho com a luz e a sombra, fazendo que as formas mais iluminadas ganhassem volume e suavizando cores e contornos com sombras esfumaçadas. Explorou também a perspectiva aérea (ou atmosférica) nas paisagens de fundo que aplicava nas pinturas, imitando a natureza que faz com que a cor pareça mais pálida e mais azulada em direção ao horizonte. (HALLAWELL 1994, 35).
Leonardo afirmava que os princípios da pintura estabelecem o que é um corpo sombreado (forma e volume) e o que é luz, tornando-se visível em uma obra.
Para o escritor e pintor alemão Johann Wolfgang Goethe (1749-1832) a cor era composta de luminosidade e sombra, analisadas do ponto de vista de um pintor e não de um cientista.
Em suas observações descreveu os efeitos do "positivo" e "negativo" da cor sobre a mente.
Baseado nas pesquisas de Newton, Goethe mostra em aquarela; uma tinta brilhante e transparente, que pode ser diluída em água até atingir nuanças bem suaves, ou trabalhá-la com pouco líquido, ficando dessa forma mais pastosa, os resultados de dois experimentos de luz passando através de um prisma: as três cores principais do espectro de Newton - laranja, verde e azul violeta - seriam percebidas em um quarto escuro, através de um raio controlado de luz; no espectro de Goethe, as cores principais seriam azul cian, vermelho (que ele chamou de púrpura) e amarelo - vistos pelo olho na luz do dia. Juntando as seis cores, formou a base do círculo das cores.
Em 1664, Isaac Newton fez surpreendentes descobertas sobre a luz e as cores. São muitas as experiências que relatou que constam até hoje dos estudos feitos pela Física elementar. Seus estudos partiram da observação do arco-íris. Newton "reproduziu" um arco-íris dentro de casa. Com alguns prismas e lentes onde fez incidir a luz do sol, separou as cores para estudá-las. A faixa colorida que obteve ao separar as cores é chamada de "espectro solar". Mas nem todas as cores podem ser vistas por nossos olhos. O infravermelho e o ultravioleta, por exemplo, não são cores visíveis no arco-íris (PEDROSA 2002, 40).

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